Terça-feira, 06 de Outubro de 2026 - 18:56:18hs
Apagões deixam moradores da Pontinha do Cocho no escuro por até 16 horas e afetam posto de saúde e escolas
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Moradores de Pontinha do Cocho, distrito de Camapuã, a 140 km de Campo Grande, relatam problemas recorrentes no fornecimento de energia elétrica, principalmente durante períodos de chuva. Segundo eles, as interrupções, que antes duravam cerca de uma hora, passaram a se estender por várias horas. Em algumas comunidades da região, há locais sem energia desde domingo.
Uma moradora contou que o distrito estava com o fornecimento normal no momento do relato, mas comunidades próximas continuavam sem energia.
Segundo ela, a situação se repete há mais de 20 dias e, em alguns momentos, os moradores chegaram a ficar mais de 16 horas sem eletricidade.
“Funciona um período do dia e acaba em outro. Chegamos a ficar mais de 12 horas dentro do distrito sem energia”, relatou. De acordo com a moradora, o problema também afeta o posto de saúde local, que mantém vacinas, insulinas e outros medicamentos que precisam de condições adequadas de armazenamento.Ela afirma que, em algumas situações, os medicamentos são enviados de volta para Camapuã, que fica a cerca de 67 km do distrito. A preocupação, segundo ela, é maior por causa da presença de idosos e pessoas com diabetes que dependem de insulina.
“Temos uma porcentagem grande de idosos e diabéticos que não podem ficar sem a insulina. Essa é uma das nossas preocupações”, disse.
Prejuízos para moradores e comércio As quedas de energia também dificultam o funcionamento de estabelecimentos comerciais que dependem de refrigeração.A primeira moradora contou que Pontinha do Cocho chegou a ter um laticínio, mas o estabelecimento encerrou as atividades em 2024. Segundo ela, a dificuldade de manter o fornecimento de energia teria sido um dos fatores que contribuíram para o fechamento.
“Tínhamos um laticínio aqui até 2024. Foi fechado e um dos fatores foi a falta de sustentação da energia. Nem com motor estacionário o proprietário conseguiu manter”, afirmou.
A moradora também relata dificuldades para a abertura e a manutenção de outros pequenos negócios no distrito. Segundo ela, estabelecimentos como lanchonetes e sorveterias enfrentam dificuldades por dependerem do fornecimento contínuo de eletricidade.
“Sem energia não temos nem água”, afirmou.
Escolas também são afetadas As interrupções também prejudicam o funcionamento das escolas da região. A moradora relata que os estudantes são liberados mais cedo nos dias em que há falta de energia, inclusive em uma escola de período integral.Ela também chamou a atenção para estudantes que precisam de uma rotina adaptada. Segundo a moradora, há cinco crianças autistas na região, entre elas uma de seus familiares.
“E temos uma escola integral. E uma coisa muito importante: temos cinco crianças autistas. Eu mesma sou avó de uma delas”, relatou. Outro problema citado é o atendimento de pessoas que dependem de equipamentos elétricos. Segundo a moradora, há idosos acamados na região que utilizam aparelhos e ficam mais vulneráveis durante os períodos sem energia.
Moradora relata uma semana de interrupções Uma segunda moradora, que vive em uma propriedade a cerca de 17 km de Pontinha do Cocho, afirma que a falta de energia também tem sido frequente na área rural. Segundo ela, o problema ocorreu durante toda a semana passada e continua desde domingo.
“Acabou todos os dias dessa semana que passou e, desde domingo, ainda estamos sem energia”, relatou. A moradora afirma que as interrupções ocorreram mesmo quando não estava chovendo. Ela conta que, na semana passada, chegou a ficar dois dias sem energia. Depois que o fornecimento foi restabelecido, novas interrupções ocorreram ao longo do dia.
“Voltou pela manhã e ficou todo dia acabando, voltava à tarde e acabava à noite”, contou. A moradora afirma que entrou em contato diversas vezes com a empresa responsável pelo fornecimento. Segundo ela, recebeu como resposta que o caso estava classificado como “desligamento emergencial” e que não havia previsão para o retorno da energia.
Além dos transtornos, ela relata prejuízos com alimentos armazenados em casa. “As coisas da geladeira já estragaram tudo”, afirmou. Os relatos apontam que o problema não se restringe às interrupções momentâneas durante as chuvas e também atinge moradores de áreas próximas ao distrito. Segundo os moradores, a falta de energia afeta atividades comerciais, escolas, serviços de saúde e famílias que dependem de equipamentos ou medicamentos que precisam de refrigeração.
O que diz a Energisa A Energisa informou que as condições climáticas adversas que atingiram a região do distrito de Pontinha do Cocho no último fim de semana lançaram objetos e árvores contra a rede elétrica, causando interrupções no fornecimento de energia em alguns pontos.Segundo a distribuidora, em determinados trechos será necessário reconstruir a rede. As condições climáticas e o terreno de difícil acesso tornam o serviço mais complexo e dificultam a execução dos trabalhos.A Energisa reforçou que já atua na região de Pontinha do Cocho, com equipes reforçadas, e que os trabalhos seguem para normalizar o fornecimento aos demais clientes.A distribuidora orienta que, caso o cliente encontre fios caídos, não se aproxime nem toque neles. A recomendação é acionar imediatamente a Energisa por meio dos canais digitais.
G1/MS, Estagiária sob supervisão de Adriano Fernandes
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