Domingo, 26 de Julho de 2026 - 19:13:31hs
Confirmado como candidato do PSD à Presidência, Caiado dispara: 'Coragem para libertar o país do sequestro do PT e das fac&cc
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O PSD encaminhou oficialmente, neste domingo (26), a chapa formada por Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, e Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo e atual presidente do partido, à Presidência da República. A dupla tem como desafio crescer nas pesquisas em cima do senador Flávio Bolsonaro (PL) e viabilizar o segundo turno contra Lula (PT).A convenção nacional da sigla, etapa obrigatória pela Justiça Eleitoral antes da campanha, foi realizada no antigo Edifício Joelma, onde fica a sede do PSD em São Paulo. Enquanto os nomes eram confirmados pela direção, Caiado concedeu uma entrevista coletiva em que se apresentou como um candidato que não entra em "brigas inúteis", além de criticar o PT e o filho de Jair Bolsonaro.
— Para governar o país, o candidato precisa de independência moral e de coragem pessoal. Coragem para libertar o país do sequestro do PT e das facções. De não ser um candidato 'Kinder Ovo', com uma surpresinha todo dia. Mas, sim, um candidato que tenha uma vida pregressa, que nunca se envolveu em rachadinha, mensalão, petrolão, escândalo do Master ou em assalto aos aposentados.
Ele depois descreveu como pensa um "representante da centro-direita" no Brasil:
— É o significado de princípios. Então, quem rouba com a mão esquerda ou quem rouba com a mão direita é ladrão. Você tem que ter alguém que realmente cumpra todas as exigências necessárias para ter essa autoridade e, num segundo turno, debater e mostrar a diferença.
Caiado criticou as posições de Lula em relação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que aplicou um tarifaço sobre as exportações brasileiras e enviou emissários do Departamento de Estado como "observadores" nas eleições, e a participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção do PL que deu partida na campanha de Flávio Bolsonaro, neste sábado (25).
— O atual presidente quer de toda maneira provocar o presidente dos Estados Unidos. Do outro lado, as mesmas agressões acontecendo, insultando autoridades, no sentido de desviar dos assuntos dos quais deveria prestar esclarecimentos.
Caiado prometeu maior rigor na legislação penal contra agressores de mulheres, estupradores e pedófilos, em um aceno ao eleitorado que cobra uma abordagem linha dura na segurança pública. E fez elogios à capacidade de articulação de Kassab, seu candidato a vice, apesar da confirmação de que disputa o cargo numa "chapa pura", sem apoio de qualquer outro partido.
Indagado por jornalistas, o companheiro de chapa minimizou o fato de outras siglas do chamado "Centrão", como União Brasil, PP, MDB e Republicanos, não terem embarcado na candidatura, mesmo diante da possibilidade de esses partidos não fecharem coligações nem com Flávio, nem com Lula.
— Não tinha solo fértil. União Brasil e PP negaram a candidatura ao Caiado, por isso ele está no PSD. Outros partidos menores, como Novo e Missão, precisam de candidato próprio. Tem algum outro? Acho que não tem, todos estão comprometidos com o bolsonarismo ou o petismo.Os governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e do Paraná, Ratinho Júnior, ambos filiados ao PSD, chegaram no meio da coletiva e prestaram suporte à chapa. A dupla concorreu contra Caiado para ser o candidato a presidente pela sigla de Kassab. Ratinho acabou desistindo da ideia, enquanto Leite demonstrou contrariedade com a escolha do goiano, antes de declarar apoio.
Vetado como candidato a presidente no DC, o ex-deputado federal Aldo Rebelo, ex-ministro de Lula e Dilma, foi a surpresa do evento e fez um discurso em defesa de Caiado, tanto na coletiva de imprensa quanto no palco. Daniel Vilela, que tenta ser o sucessor do presidenciável em Goiás, foi o terceiro governador presente, com ausências marcantes de Raquel Lyra, de Pernambuco, e Mateus Simões, de Minas Gerais, além do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes.
Ato na capital paulista Após a convenção e a entrevista coletiva, os integrantes da chapa e demais aliados se dirigiram a um ato público próximo à Praça da Bandeira, no centro de São Paulo, com a realização de discursos. Desde as primeiras horas da manhã, militantes portando adesivos e bandeiras de candidatos se posicionaram em frente ao palco. Alguns desses materiais traziam a foto de Caiado e de Kassab junto à do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que apoia Flávio.
O candidato a presidente do PSD sustentou, em seu discurso à militância, que os brasileiros não podem “optar por aqueles que são os maiores rejeitados da política nacional”, em nova referência aos adversários de PT e PL que aparecem na liderança das pesquisas. E procurou associar esse cenário a uma competição de “vaidade”, em que declarações agressivas partem dos dois lados para concentrar as atenções da campanha.
Caiado, contudo, também teve a sua cota de ataques. Ele chamou Lula de “agiota”, por conta do nível da taxa de juros ao longo do mandato, e Flávio de “frango de granja”, como alguém que não toma decisões sozinho.
— Um país endividado, sem saber o que fazer, que foi induzido a tomar dinheiro emprestado, e dali a pouco o agiota maior, do Lula, cobra uma taxa de 14% do cidadão brasileiro. Aí ele faz o “Desenrola”, cortesia com o chapéu alheio, dando aquilo que é o seguro do trabalhador para pagar agiotagem no Brasil — ele disse sobre o primeiro.
— Aqueles candidatos que, na vida, não tem como explicar. Qualquer coisa chama o papai, vou ler uma carta dele. Que nem frango de granja, que vai lá, come a raçãozinha, toma o antibiótico. Não, o Caiado é galo de terreiro. Sou acostumado na briga, mas brigo pelo que interessa — disparou ao segundo.O jingle do candidato, repetido à exaustão, apresentava o goiano como um "cara honesto e decente”, que tem como foco “acabar com a bandidagem”, construir hospitais e dar mais educação para o povo brasileiro. “Ele briga pelo povo, os outros brigam por poder”, completa a música, numa espécie de jogo de perguntas e respostas, em que o candidato é sempre a solução.
Caiado é o terceiro candidato confirmado na disputa, ao lado do ativista Renan Santos (Missão), que se registrou no primeiro dia, por meio de uma convenção online, e do senador Flávio Bolsonaro (PL), cuja partida na campanha ocorreu neste sábado, na Arena Pacaembu, em São Paulo, com direito a uma simulação de Jair Bolsonaro com IA e a ofensas do argentino Javier Milei ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Tarcísio não comparece Kassab havia acertado a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na primeira parte do evento, em que o PSD estadual anunciaria apoio a ele na corrida pela reeleição. Aliado de Flávio, o republicano faltou à cerimônia. Internamente, a desfeita foi atribuída a um convite divulgado pelo dirigente da sigla nas redes sociais que associou o governador a Caiado.
O PSD também convidou outros dois integrantes da chapa estadual: o deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp), e o deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário estadual de Segurança Pública. Ambos concorrem ao Senado. Felício Ramuth (MDB), que saiu do PSD para ser indicado novamente a vice-governador, não foi chamado.
estadao
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