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Sábado, 10 de Outubro de 2026 - 20:04:51hs

Figueirão: da ‘Areia Santa’ do Nelore ao plantio de eucalipto transforma a economia

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Por Redação RegionalMS
Figueirão: da ‘Areia Santa’ do Nelore ao plantio de eucalipto transforma a economia

O município de Figueirão, localizado na região Norte de Mato Grosso do Sul, está vivendo uma das maiores transformações de sua história econômica. Tradicionalmente reconhecido pela força da pecuária e pela qualidade genética de seu rebanho bovino, o município vem acompanhando o crescimento acelerado do cultivo de eucalipto, no Estado.

Durante décadas, Figueirão construiu sua identidade econômica em torno da criação de bovinos, especialmente da raça Nelore. A qualidade dos animais produzidos nas propriedades rurais fez com que o município conquistasse reconhecimento no setor pecuário, chegando a ser conhecido como “Areia Santa”, batizado pelo saudoso Rubinho Catenacci, uma referência à tradição e à excelência de seu gado.

Atualmente, o município possui um rebanho estimado em aproximadamente 299 mil cabeças de bovinos, mantendo a pecuária como uma das principais atividades econômicas. Entretanto, nos últimos anos, parte das áreas tradicionalmente utilizadas para pastagens vem sendo destinada ao cultivo de florestas comerciais de eucalipto.

O avanço da silvicultura é uma realidade cada vez mais presente na paisagem rural de Figueirão. Segundo estimativas locais, o município já conta com aproximadamente 25 mil hectares de eucalipto plantados, número que demonstra a importância que essa atividade vem conquistando na economia municipal.Grandes áreas antes ocupadas exclusivamente pela pecuária estão sendo transformadas em florestas plantadas, acompanhando a expansão do setor de celulose em Mato Grosso do Sul.

Essa mudança representa uma nova etapa no desenvolvimento econômico de Figueirão. Além da produção de madeira, o setor florestal movimenta empresas prestadoras de serviços, transporte, máquinas agrícolas, manutenção de equipamentos e contratação de trabalhadores.  A expansão também cria oportunidades para o comércio local, incluindo supermercados, postos de combustíveis, oficinas, restaurantes e outros estabelecimentos que atendem às necessidades dos trabalhadores e das empresas.

Se por um lado a expansão do eucalipto representa novas oportunidades econômicas, por outro também traz desafios importantes para a administração municipal.Com o crescimento das atividades florestais, Figueirão vem registrando aumento na demanda por atendimentos na saúde e nos serviços de assistência social, reflexo das mudanças na dinâmica econômica e populacional relacionadas ao setor.

O aumento da circulação de trabalhadores e da movimentação econômica exige que o município acompanhe esse desenvolvimento com investimentos em infraestrutura, atendimento médico, assistência social, habitação e outros serviços essenciais.

Esse cenário reforça a necessidade de planejamento por parte do poder público, para que o crescimento econômico seja acompanhado pela ampliação da capacidade de atendimento à população. Outro desafio está nas estradas vicinais, fundamentais tanto para o transporte da produção pecuária quanto para a movimentação de veículos e equipamentos utilizados na atividade florestal.

O crescimento registrado em Figueirão acompanha uma transformação que ocorre em todo o território sul-mato-grossense. Segundo dados da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), a área plantada de eucalipto no Estado passou de 341 mil hectares, em 2010, para aproximadamente 2,016 milhões de hectares em 2026.

O avanço representa um crescimento superior a 1,6 milhão de hectares em 16 anos, consolidando Mato Grosso do Sul entre os principais produtores florestais do Brasil.  O Estado ocupa posição de destaque na produção e exportação de produtos florestais, impulsionado principalmente pela instalação de grandes indústrias de celulose.A expansão também alcança municípios que historicamente tinham na pecuária sua principal fonte de renda, como é o caso de Figueirão. Para o economista da Famasul, Jean Américo, essa transformação representa a diversificação da economia estadual.

“Nos últimos anos, ele vem diversificando a base produtiva. No passado, a gente basicamente era direcionada à pecuária, e isso vem se intensificando nos últimos anos para outras cadeias também, como grãos, basicamente soja e milho, e recentemente a questão de florestas plantadas com eucalipto”, explica. Apesar do crescimento do eucalipto, a pecuária permanece como uma atividade de grande importância econômica, histórica e cultural para o município. Com aproximadamente 299 mil bovinos, Figueirão mantém sua tradição na produção de animais de qualidade, especialmente da raça Nelore e cruzamento industrial, que ajudou a construir a reputação do município ao longo de décadas.

A transformação da paisagem rural não significa necessariamente o fim dessa tradição, mas demonstra que o município está entrando em uma nova fase, na qual pecuária e silvicultura passam a dividir espaço e importância econômica. O desafio para os próximos anos será encontrar o equilíbrio entre essas atividades, garantindo que a expansão das florestas plantadas aconteça de forma sustentável, respeitando o meio ambiente e valorizando os produtores rurais. Figueirão, que durante décadas ganhou reconhecimento pela excelência de seu rebanho Nelore e pela tradição de suas fazendas, agora começa a escrever um novo capítulo de sua história. 

De um município conhecido como “Areia Santa”, pela qualidade de sua pecuária, Figueirão passa a integrar também o mapa da expansão do plantio de eucalipto de Mato Grosso do Sul.  Com aproximadamente 299 mil cabeças de gado e cerca de 25 mil hectares de eucalipto plantados, o município demonstra a força de duas importantes atividades econômicas que podem contribuir para seu desenvolvimento. 

Entretanto, o crescimento também exige atenção. A geração de empregos e a movimentação financeira precisam caminhar ao lado dos investimentos em saúde, assistência social, infraestrutura, qualificação profissional e preservação ambiental. 

O grande desafio de Figueirão será transformar a riqueza produzida no campo em desenvolvimento e qualidade de vida para toda a população, preservando sua tradição pecuária enquanto abre espaço para uma nova realidade econômica.

 

 

 

 

 

Matéria editada com informação da midiamax

 

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